quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Dylan




Uma vez, Bob Dylan foi visitar o túmulo de Jack Kerouac em Lowel, juntamente com o profeta-poeta-beat-revolucionário, Allen Ginsberg. Cantaram a prosódia bop de Dylan, celebraram a lenda de Kerouac e agradeceram ao anjo-beat-Jack que tombou antes deles, "viajou fora do combinado", como diria outro grande – Rolando Boldrim, mas é eterno.

Jack é e sempre será eterno, pelo menos enquanto houver um único ser que se levanta e olha para a vida de cabeça erguida e não se conforma e quer ser feliz e quer ser livre e quer cantar e se esbaldar e amar e viajar e ouvir música e caminhar a noite toda conversando e curtindo e transando as pessoas... e enquanto existirem pessoas que, como nas palavras do próprio Kerouac: "... estão loucos para viver, loucos para falar, loucos para serem salvos, que querem tudo ao mesmo tempo, aqueles que nunca bocejam ou dizem chavões, mas queimam, queimam, queimam...", seu espírito estará vivo.

Dylan sacou o que seus predecessores beats quiseram dizer e não se dobrou, não aceitou os rótulos que tentaram impor a ele, NUNCA. Não se dizia poeta, nem cantor folk, nem roqueiro, cagou pra tudo e seguiu a estrada, pé na estrada, amigo, não temos tempo a perder, a viagem continua, parecia nos dizer nas entrelinhas.

A vida foi uma longa viagem para Jack e para Allen e para Neal e para Burroughs e ainda é uma grande viagem para Bob Dylan. Enquanto houver mochileiros e cabeças sonhadoras e amor e criatividade e vontade, eles estarão conosco, vivos, no ar como arte acessível e combustível necessários; e sempre nascerão novos Dylans para cantar e trazer sentido e espalhar beleza.

Dylan está aí, diferente, mutante – sempre, agora pinta, escreve sem parar, viaja e sua música ainda encanta, sua simplicidade assombra e seu alcance parece não ter fim. E nós podemos viajar também, na estrada real e na estrada do imaginário, na música, na pintura, nas coisas simples e por isso mesmo eternas... e assim continuaremos sendo humanos e livres.



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"Aqui estão os loucos. Os desajustados. Os rebeldes. Os criadores de caso. Os pinos redondos nos buracos quadrados. Aqueles que vêem as coisas de forma diferente. Eles não curtem regras. E não respeitam o status quo. Você pode citá-los, discordar deles, glorificá-los ou caluniá-los. Mas a única coisa que você não pode fazer é ignorá-los. Porque eles mudam as coisas. Empurram a raça humana para a frente. E, enquanto alguns os vêem como loucos, nós os vemos como geniais. Porque as pessoas loucas o bastante para acreditar que podem mudar o mundo, são as que o mudam."

Jack Kerouac.

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